segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"(...) o viajante apresenta um risco moral inegável, e isso por ser portador de novidades!"

"É seu escapismo, essa capacidade de se movimentar, que o predispõe toda hora à sublevação, aos transbordamentos afetivos, à quebra da ordem estabelecida. O errante não perdeu nada em sua propensão ao movimento, até faz disso uma cultura, e isso é intolerável quando prevalecem os valores estabelecidos" 

"A nostalgia do outro lugar engendra a errância que, por sua vez, favorece um ato fundador. A anomia e a efervescência são fundações sólidas de qualquer nova estruturação"

"É uma boa metáfora do aspecto fundador do nomadismo que, por saber escapar da esclerose da instituição, pode ser eminentemente construtor"

"Em constantes peregrinações, sempre à margem, vivendo e suscitando a aventura, o profeta está nas encruzilhadas. Seu discurso está sempre no limite, sua atitude é um desafio ao instituído. Seu discurso está sempre no limite, sua atitude é um desafio ao instituído. Na comunidade é que ele se situa, fazendo-a viver na inquietude"

"A realidade em si não é mais que uma ilusão, é sempre flutuante, e não pode ser compreendida a não ser em seu perpétuo devir"

"Ninguém pode se gabar de ter uma morada permanente. Em suas diversas manifestações, a vida é sempre um caminhar entre o aqui e o alhures"

"O olhar exterior, na verdade, tem uma visão mais penetrante, mais límpida também, pelo fato de saber ver aquilo que nossos olhares, por excessivamente habituados, vêem de modo deformado"

"(...) a errância - e as múltiplas identidades que suscita - é antes de tudo um sinal de vitalidade, é a expressão de uma verdadeira sabedoria do precário, dedicando-se a viver intensamente o presente através de suas alegrias e de suas penas"

"Não há erro, escapar por pouco é sempre sinônimo de excesso. Em relação ao sedentário, o errante é, de fato, sempre inquietante. O errante carrega consigo muitos sonhos complexos. Sonhos, sobretudo, de que ele não abdicou. Sonhos que continuam a animar sua vida e que, justamente, o mantêm no caminho"

*Maffesoli, Michel. "Sobre o nomadismo - Vagabundagens pós-modernas". Ed. Record. RJ. 2001.

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