sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Método do silêncio*


 “Tudo o que se movia nele ainda jazia em trevas, embora já sentisse o desejo de contemplar em meio à escuridão coisas que os outros não percebiam.”
Robert Musil

A maldição nunca vem sozinha. Vem acompanhada do verme deixado pela Vida em algum canto deste país. Nesta cidade o fenômeno do verme é que ele, midiático, como seu ar de “estuprador do espírito”, observa o cenário em ruínas desmoronar-se no esquecimento. Decadência. Diante de uma obra que foi criada para identificar como verdadeira, certos feitos, pensamentos monopolizam e naturaliza a verdade midiática de um só Dono: o verme onipresente. Por ser a excrescência da realidade, de uma sociedade que se ilude com o passado imposto, a cultura da terra nem sempre é orgânica, raiz é a invenção do poder.

Um dia percebi que o silêncio do verme era sua arma para fazer com que o Outro fosse esquecido. Que o Outro morresse em seu próprio mundo, como se existisse mundos distintos, era preciso saber que um lado era nulo e, portando, devia ser esquecido de uma vez para todo o sempre. Assim, a exclusão e não existência faz parte de um falso cotidiano, o mundo dos iludidos é a vida que não cabe no bom convívio social.

Desci ao inferno, à terra, conheci os meandros do local, da profundeza, os rastros da superfície e do silêncio estratégico feito pelos vermes diante do diferente pensar, o que se valoriza como humano, demasiado humano. Voltei à realidade, com uma única arma, o silêncio salvou a ilusão. 

A razão não precisa estar do lado do verme para ser autêntica, não precisa ganhar nenhum prêmio para sobreviver entre os vermes e a Cidade. Pensei patentear o método do silêncio como antídoto, depois, a pessoa era só fazer terapia para não cair no lodo dos vermes. 

Criar um método de terapia através do esquecimento silencioso, poria dúvida no futuro, o mal dela nasceria, então, salvar algumas pessoas a não perder suas almas, em se deixar transforma-se em vermes, virou uma solução apenas do ato reflexivo.

O método não é invenção minha, está na natureza, serve a todos. Então, contra os vermes midiáticos, todos que se sintam injustiçados, qualquer tipo de exclusão... Usem o Silêncio e o esquecimento. 

É uma filosofia de vida, matá-los dentro de nosso possível ódio, depois deixar o tempo passar, e sem que percebamos − eles extintos − existirão apenas na cabeça do verme. O mal existe, estamos emergindo do silêncio e como Musil escreveu em O jovem Törless “A história nos ensina que só existe um caminho para isso: o mergulho em si mesmo.”

*Prof. Dr. Luis Antonio Paim Gomes 
Filósofo. Editor. Livre Pensador.
Porto Alegre/RS

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