segunda-feira, 24 de abril de 2017

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*













"Para Platão o mito também encerra em si um determinado teor conceitual; pois ele é aquela única linguagem conceitual na qual se pode exprimir o mundo do vir-a-ser. Também não pode haver outra apresentação que não seja mítica daquilo que nunca é, mas sempre 'vem a ser', daquilo que não perdura identicamente determinado, como os produtos do conhecimento lógico e matemático, mas que de momento a momento aparece como outro"

"O processo mitológico não tem a ver com objetos da natureza, mas com as puras potências criadoras, cujo produto originário é a própria consciência"

"Todo começo do mito, especialmente toda concepção mágica de mundo, está impregnado dessa crença na essência objetiva e na força objetiva do signo. A magia da palavra, a magia da imagem e a magia da escrita formam o acervo fundamental da atividade mágica e da visão mágica de mundo"

"(...) Mas a autêntica força mítico-mágica da linguagem só vem à tona quando já aparece na forma de som articulado"

"(...) O mesmo papel que cabe à imagem cabe também à sombra de alguém. Ela também é uma parte real vulnerável dessa pessoa e todo ferimento da sombra é um ferimento na própria pessoa. É proibido pisar na sombra de alguém, pois com isso se pode transmitir uma doença à pessoa"

"Também aqui, como no desenvolvimento de todas as 'formas simbólicas', luz e sombra estão correlacionadas. A luz se anuncia e se mostra na sombra que projeta: o puramente 'inteligível' tem o sensível como seu oposto, mas esse oposto ao mesmo tempo constitui seu correlato necessário"

*Ernst Cassirer in "A filosofia das formas simbólicas - O pensamento mítico". Ed. Martins Fontes. SP. 2004.

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