sábado, 12 de março de 2016

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*



"É preciso, pois, que alguma coisa no olhar do outro o assinale para mim como olhar de outro, sem que o sentido do olhar do outro se esgote na queimadura que deixa no meu corpo olhado por ele. "

"Há uma espécie de loucura da visão que faz com que, ao mesmo tempo, eu caminhe por ela em direção ao próprio mundo e, entretanto, com toda a evidência, as partes desse mundo não coexistam sem mim (...)"

"Aparentemente, essa maneira de introduzir o outro como incógnita é a única que considera sua alteridade e a explica."

"(...) a certeza de que as coisas têm outro sentido além daquele que estamos em condições de reconhecer."

"A abertura para o mundo supõe que o mundo seja e permaneça horizonte, não porque minha visão o faça recuar além dela mesma, mas porque, de alguma maneira, aquele que vê pertence-lhe e está nele instalado."

"(...) um mistério familiar e inexplicado, de uma luz que, aclarando o resto, conserva sua origem na obscuridade."

"(...) que nossos corpo, como uma folha de papel, é um ser de duas faces, de um lado, coisa entre as coisas e de outro, aquilo que as vê e toca"

"(...) este mundo que não sou eu, e ao qual me apego tão intensamente como a mim mesmo, não passa, em certo sentido, do prolongamento de meu corpo; tenho razões para dizer que eu sou o mundo."

*M. Merleau-Ponty in "O visível e o invisível". Ed. Perspectiva. SP. 1999 

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