quinta-feira, 15 de junho de 2017

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"Há sabedoria em conviver com o raio. Apanhar o momento único em que o raio luz: uma ideia, um som, momento que não se repete nunca mais, capaz de gerar ideias e palavras e sons"

"Heráclito vê, entretanto, na linha traçada sobre a curvatura do vaso, a convergência dos contrários, pois aí a linha reta se dobra"

"O médico e o paciente foram escolhidos como exemplo da convergência dos contrários"

"O rio de Heráclito rasga um curso de dois mil e quinhentos anos na literatura ocidental, recolhendo as águas de afluentes que nascem em todas as épocas. Os poetas não resistem à força de suas imagens. Combatendo os poetas, ele os atraiu. Mandou silenciar a voz dos poetas nos concursos sem molestar o poeta que trazia em si mesmo. Não silenciaria voz alguma o pensador que compreendeu o universo na contradição"

"Não contemplamos o mundo de fora, como se assistíssemos a um espetáculo sentados na platéia"

"Estamos sem medida para avaliar objetivamente o extraordinário"

"O homem, dotado de uma psique sem limites, limita-lhe os movimentos ao se deter em coisas: propriedades, dinheiro, prestígio. O homem que quer coisas sofre o cerceamento delas. Quem se contenta com coisas recua diante do melhor"

"A busca da verdade empreende-se no silêncio, longe do ruído das multidões. Estas exigem palavras claras, consagradas, familiares. Como esperar que aplaudam intrincadas oposições ? Os que se embrenham no matagal do saber carregam a singularidade como sacrifício. Isolam-se, porque a poucos interessa tão insólita aventura. Forma-se uma elite marginalizada, porque colocada sem recursos à margem"

*Donaldo Schuler in "Heráclito e seu discurso". Ed. L&PM Pocket. Porto Alegre/RS. 2004.  

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